sábado, 7 de abril de 2012

A importância do pensar, a obrigação do fazer

Tenho refletido bastante acerca de meios que nos fazem pensar, a nos encontrar em um mundo tão perdido. E essa reflexão me levou a fazer uma análise pessoal sobre os cursos oferecidos por universidades. Minha visão é bastante pessimista sobre estes.
Tudo deve se basear obviamente no gosto pessoal de cada um, nas vontades e desejos sobre o que se quer fazer da vida, do que se quer ocupar os dias. Mas, penso ser extremamente limitada a porção de mundo que cerca os cursos profissionalizantes, incluindo, e principalmente, os técnicos. Na verdade esta visão somente veio á tona pois refletia que apenas alguns cursos, apesar de também formar profissionais, tinham como base o objetivo de fazer o homem pensar, entender sua vida, a sociedade que o cerca. Incluo nesses cursos os de História, Psicologia, Ciências Sociais, Filosofia, e até mesmo os de Economia, Letras, Pedagogia, Física, Administração e Teologia.
Sei das distinções por área de interesse, entre Humanas, Exatas etc, mas me parece tão vago que pessoas se enfurnem em uma universidade por 3, 4 ou 5 anos para apenas aprenderem a fazer alguma coisa, coisa na qual farão (ou somente para estas estarão aptas) o resto de suas vidas. Exemplifico cursos como Ciências Contábeis, Educação Física e, principalmente, os que mais me incomodam, os cursos técnicos, como Gestão em Vendas, Financeira, Operador de tratores, Operador de empilhadeiras, entre tantos outros.
Cada pessoa possui a condição e necessidade especificas, mas é extremamente degradante, em minha opinião, que um ser humano deixe seu lar e vá estudar algo que irá aplicar somente no trabalho, tornando este trabalho como matriz única e maior de seus dias, se tornando basicamente uma máquina. O trabalho não deveria ser a motivação para as pessoas estudarem. Trabalho, quando não contempla os desejos do ser, deve ser tratado exclusivamente como forma de adquirir meios de sobrevivência, e não adquirir um status superior na rotina, já pobre e maçante, dos homens, principalmente dos de baixa renda.
A vida gira em torno, simplesmente, do ganhar mais para comprar mais, e se para isso precisa-se estudar formas de como trabalhar mais e com mais habilidade, que isso seja feito.
O mais degradante para o homem não é o trabalho em sí, mas sua privação do pensar, pois, como terão esses homens acesso a formas de pensamento e compreensão de sua existência?
Finalizando, a leitura exclusiva de autores específicos técnicos/profissionalizantes causa uma prisão mental, onde a chave se encontra nas páginas de pensadores que ampliam mundos, mostram outros horizontes, longe do trabalho, próximos do ser.

2 comentários:

  1. E o governo Dilma/Lula investe pesado em cursos técnicos, para simular uma maior e melhor qualificação dos brasileiros...

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    1. Foi justamente esse incentivo que me fez adquirir certa repugnância por esses cursos técnicos. E não somente no Brasil, mas em países de primeiro mundo também. Governos desestimulam as ciências humanas em prol de cursos rápidos com único objetivo de formar trabalhadores não pensantes. E isso não importa se é governo de "direita" ou de "esquerda". Sociedade que saiba pensar não interessa a ninguém.

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