Existe um lugar pequeno e dedicado ao viver pleno do ócio que percorre segundos feito corrida de jabutis.Escondido nos submundos do desconhecido, pairado sobre terra e mato. Não é fazenda ou chácara.
A estrada é branca e fofa, gotinhas frescas suspensas no ar. Muitas cores, mas muito azul.
É no céu que se desdobra lá em cima que o tempo parece desacelerar.
De repente se levanta a menina que estava a contemplar. Tudo havia ficado azul, feito tinta, feito o mar.
As sombras desaparecem, o brilho é claro feito o sol que reflete e cega nos fazendo enxergar.
Tudo é claro, cheio de história e de ar. Sufoca quem lá está com tanto a respirar.
A menina tropeça em orquídeas sem se machucar. Dá risada, esquece até do luar.
Para ela já havia somente o azul do céu. Onde gostava de mergulhar.
Em uma caixa de sapatos velha, gastou todo lápis anil, e pintou a tampa. Fez a chuva, os animais, as casas, tudo com o seu azul. Não permitiria que azul fosse o céu se somente o azul existisse na aquarela. É perante todo arco-íris e infinitude de tons que o azul se torna especial, e a única cor que seria capaz de colorir tanto mistério sobre nossas cabeças.
Mas de uma coisa tinha a certeza: em toda sua loucura, seu coração era vermelho do sangue que a fazia amar, andar sem rumo e esperar, seja por tudo ou seja pelo nunca o nada.
Era a cor que a descrevia, que destacava seus traços no papel e na vida real. Não que tanto haja para distinguir, afinal, onde começa o sonho e encontramos o fato? E assim termina e começa a história da menina que pelo azul se apaixonou, e se encheu de cor, e invisível, por mais que queira, jamais um dia será.













