quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Entre tantas manhãs

O período que mais gosto de todo o dia. Aquela hora em que a noite vai sumindo e dando licença para o clarear lento do dia. O relógio desperta, são 6h50. Lá fora faz frio, o vento se mostra presente. Abro portas e janelas, deixo a manhã entrar e tomar conta dos ambientes. Saio lá fora, quando o sol ainda não se apresentou. As ruas mortas, vazias, com poucas almas vagando rumo a um dia inteiro de trabalho. Talvez essas almas já nem percebam nenhuma beleza numa manhã que antecede o trabalho. Para alguns, inclusive, deva ser a pior parte do dia, a mais degradante. Compreendo estas almas e sinto pena. Apreciar um começo de dia é muito contemplador, que nada deveria atrapalhar. É a gênese de uma nova oportunidade de fazer as coisas certas, de buscar novas oportunidades. É quando se tem certeza que estamos vivos, e podemos começar dietas, procurar novos empregos, dizer tudo o que sentimos. A manhã, representa a chance dada, e que não deveria ser desperdiçada.
Nada como um caminhar leve, seja curto ou distante, olhando para o redor, mas tomando extremo cuidado de não olhar para lugar nenhum. É essencial que nossos olhos enxerguem a pureza desse momento, onde não nos devemos concentrar em coisas, mas sim naquilo que não podemos tocar. Tudo na manhã é melhor. O ar, mais puro. O sol, saudável, a vida, mais plena. É como se nossa energia estivesse cheia, com todo o dia para viver. É uma escada, onde estamos no topo, no primeiro degrau.
Depois de andar, tomar um banho fresco, fechar os olhos e deixar a água lavar tudo o que precise, esteja no corpo ou na mente.
Para concluir, uma xícara de café, bem quente, nos recompondo e enchendo de vitalidade para mais uma batalha. Saborear um café torna o dia agradável e aconchegante. Nos sentimos confortáveis em nosso mundo, seguros de que estamos prontos para seguir.
Se algo posso prometer a mim mesmo, é nunca perder essa magia, de começar bem o dia. Isso deve ser hábito, que não pode ser atropelado por preocupações, trabalho, pressões. Todos precisam de um momento para si, e a manhã se faz presente, todos os dias, pedindo para ser esse momento. Isso é celebrar a vida, tão única e curta, que não deve ser desperdiçada.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Fantasias e fugas

A condenação de viver somente a realidade seria uma das mais duras penas, se não fosse o fato de possuirmos uma mente que nos eleva a outros patamares quando necessário. Não é possível apenas ser o que somos e viver o que vivemos. Uma "realidade alternativa" se faz necessária para que possamos nos desligar. Por mais ridícula e infantil que seja, uma fantasia deve haver e habitar nossas vidas tão sérias e cheias de coisas importantes. Se não nos dermos ao luxo de flashes de loucura programada, ou de simplesmente algo fora do normal, podemos facilmente pifar, e nem sempre custa barato o conserto.
A sociedade se acostumou a viver em linha reta, onde não há espaço para desvios, trajetos que nos levem ao desconhecido, algo que saia de nossa rotina. A forma mais encontrada pelo humano de se "desconectar" é a inserção quase que compulsória de entorpecentes, incluindo em destaque as bebidas alcoólicas. A fuga da vida real é tentada através dessa perda momentânea da consciência, que impede ao menos por instantes que possamos pensar no que é realmente necessário. Pessoalmente acho esta a mais suja  e degradante forma que o homem encontra para se esconder. Não poderemos nunca ignorar o que somos e o que temos que ser e fazer, mas distorcer nossa imagem perante nossa comunidade não se mostra viável, muitas vezes nos nomeando como fracos e impossibilitados de lidar com os problemas.
E assim somos e é certeza que, oculta ou não, sofremos do mal da fraqueza. A diferença é a forma com que cada qual se sente e reage sendo fraco, sendo um simples e complicado ser que vive.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Parágrafos sobre cultura no Brasil

Já faz algum tempo, um generoso tempo, em que noto algo bastante incômodo. A sociedade, musicalmente falando, está estagnada culturalmente. É extremamente triste ter que ouvir as mesmas músicas, tocando em todos os lugares. Na verdade meu exemplo se dá na rotina da região que vivo, o oeste paranaense, mas que percebo ser o mesmo em todo território brasileiro. A juventude está totalmente entregue ao sertanejo universitário e às músicas eletrônicas da moda, que, particularmente, acho insuportáveis.
É de uma pobreza tamanha que um país que é dado como propenso ao crescimento, seja tão limitado culturalmente. O tema desse texto é música, mas, em todas as vertentes culturais, quem ao menos tenta pensar está em um processo contínuo de sofrimento, basta perceber a programação da TV aberta nacional até a horrível determinação das emissoras fechadas de dublar toda sua programação, mas isso é assunto para outra conversa.
Ver pais colocando Michel Teló para seus filhos dançarem e menininhas de 14 anos (crianças, até onde eu sei) requebrando em batidas lastimáveis vai determinando como está a nossa sociedade atual. Posso dizer que ando pessimista com o que vejo. Não espero ninguém ouvindo Mozart no som do carro, mas que ao menos não sejamos totalmente rendidos por essa inutilidade. É de se pensar em todas influencias possíveis na formação dos futuros jovens, diariamente afundados em garrafas de bebida alcoólica. Se quiser realmente crescer, é preciso foco total na educação e ao menos na melhora de nossos costumes, senão, estamos mesmo fadados ao fracasso, celebrando apenas sucessos individuais, daqueles que cuidam de seu corpo, sua mente. Minha visão: a vida ficará mais fácil para quem estudar, e quiser se destacar, dessa forma, parando de ser estupidamente igual a todos os outros.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Conselheiro de botequim

Seria mais conveniente assumir percalços do que ocultá-los e se sujeitar ao erro novamente. A vida, assim como a história que contamos, é construída de forma temporal, onde cometemos erros e achamos que cometemos acertos. Se fecharmos os olhos para os pontos negros do passeio, estaremos condenados a repetir tudo de ruim que nos assola. Deve-se tornar isso hábito. O tempo de hoje é o único tempo. Pensamos no futuro e lamentamos o passado de forma a imobilizar o presente. Pessoas lamentam que leram 5 livros nos últimos 5 anos, mas se persistirem lamentando não haverá muitas perspectivas de aumento desse número. A conta é simples: se não tem nada, tenha algo. Se ainda não começou a ler, comece. Se não tem dinheiro, junte. Se o primeiro passo não for consumado, o restante do caminho parecerá eterno, e completamente estafante.